Viajar com filhos fortalece o vínculo entre irmãos

Viajar com filhos fortalece o vínculo entre irmãos

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Muita gente nos pergunta porque gostamos tanto de viajar com filhos. Essa pergunta tem muitas respostas: queremos mostrar o mundo para eles, criar cidadãos multiculturais, pessoas melhores, mais abertas e tolerantes, gostamos de nos divertir em família… Mas tem um motivo em especial que me emociona sempre, a cada viagem, seja para um país distante ou para uma praia há poucos quilômetros da minha casa: a parceria, a conexão, o vínculo que se fortalece entre as minhas filhas toda vez que elas passam mais tempo juntas, longe da rotina da escola, das suas turmas de amigos, das suas atividades (dança, aulas de inglês, natação…) da TV ou do celular.

Sou mãe de duas meninas. A Marina tem 15 anos. A Olivia tem 9. São 6 anos de diferença, o que significa necessidades, preferências, amigos e rotinas bem diferentes. No dia a dia, enquanto uma está se arrumando para ir a uma festa, a outra está se preparando para dormir. Enquanto a mais velha está conversando com as amigas no direct do Instagram, a mais nova está brincando de boneca… Embora sejam muito amigas, têm rotinas diferente. 

 

Meninas no Central Park

Quando saímos para viajar elas têm mais tempo para se ouvir, trocar experiências, têm tarefas em comum e precisam se ajudar para que a viagem seja mais legal. Nessas últimas férias, por exemplo, a mais velha assumiu a cozinha algumas vezes, preparou almoços e jantares gostosos para todos. Elas fizeram um acordo: a pequena seria a “assistente”. Juntas elas arrumavam a mesa, preparavam a comida e ainda lavavam a louça! 

O fato de dividirem o quarto – o que não acontece na nossa casa – também fez com que compartilhassem as responsabilidades e criassem muito mais cumplicidade. Com o acesso limitado ao wi-fi (e a nossa restrição maior ao mundo virtual) tivemos mais tempo para brincar com jogos de cartas e de tabuleiro, de bater papo, de contar histórias, de inventar coisas pra fazer. Elas exercitaram a criatividade juntas! Claro que um empurrãozinho dos pais ajuda muito a criar essa conexão. Veja abaixo algumas dicas para estimular a parceria e criar memórias inesquecíveis nas viagens:

Limite o uso de eletrônicos

Proibir não é o caminho, mas reduzir o tempo em joguinhos e redes sociais ajuda muito! Guarde como uma carta na manga, em situações limite: muito atraso em um voo, horas de congestionamento na estrada…

Leve ou invente jogos que sejam divertido para todas as idades

UNO, jogos de baralho (Detetive, Dorminhoco, Mico, Mau Mau…), STOP, mímica com nomes de filme e jogos de tabuleiro (nossa nova descoberta se chama Batalha de Gerações, da Grow).

Descubra atrações que vão agradar a todos

Quando isso não for possível, mostre que um pode ceder um pouco para agradar ao outro e assim todos vão aproveitar a viagem. Exemplo: se uma das crianças quiser muito assistir a um jogo de basquete, a outra pode acompanhar. No outro dia, a que “ganhou” o jogo de basquete pode acompanhar o irmão mais novo em um parquinho infantil. Isso vale também para adultos e crianças. Aproveite para ensiná-los a serem flexíveis e tolerantes para que todos curtam a viagem do seu jeitinho.

Crie tarefas que as crianças precisam desempenhar em conjunto

Arrumar as malas, preparar uma refeição, lavar a louça, tirar fotos. Isso aumenta a cumplicidade e incentiva a parceria.

Aproveitem o tempo ocioso para conversar bastante

As crianças adoram ouvir histórias da infância dos pais ou mesmo histórias de quando eram menorzinhas. As viagens são uma ótima oportunidade para bater papo sem compromisso. São nesses momentos que surgem as conversas mais gostosas!

Deixe que elas tenham tempo livre!

Cuidado para não reproduzir na viagem a correria e o estresse que vocês já têm na rotina. Horários muito rígidos e mil programas em um só dia acabam tornando a viagem cansativa, o que aumenta muito a chance de brigas. Tire o pé do acelerador, dê espaço para o ócio, afrouxe um pouco as regras. Vai ser bom pra todo mundo!

viajar com filhos

 

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Fernanda Ávila é jornalista, autora do Guia Nova York com Crianças, e mãe da Marina e da Olivia. Morou em Nova York e Lisboa e é sócia da Pulp Edições.

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